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COLUNA REFLEXÕES |
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Cada um tem sua visão de essencial e dispensável. A natureza traça os limites à nossa organização, mas alguns alteram-na, criando necessidades artificiais. Alguns buscam a conquista desenfreada dos valores materiais, outros buscam só os valores espirituais. O filósofo grego Diógenes demonstrava total desinteresse por coisas materiais, dizendo que para sermos felizes, devemos nos libertar do supérfluo, limitando-nos ao necessário. Andava descalço, usava só uma túnica, dormia em um barril. Um dia, encantou-se ao ver um menino tomando água com as mãos e jogou fora também sua caneca. As notícias sobre ele espalharam-se, chegando até Alexandre; rei poderoso que ninguém ousava desafiar e ele desejou conhecê-lo. O filósofo tomava o sol da manhã quando Alexandre aproximou-se, observou-lhe e disse: Peça o capricho mais sofisticado; ouro, jóias, terras, e eu te darei. Diógenes olhou Alexandre e respondeu: Eu só peço, por favor, que se afaste para o lado, pois está na frente do que preciso; o sol. Devemos cultivar valores espirituais sempre, mas nós ainda precisamos de valores materiais. A diferença é se os buscamos de forma normal ou nos perdemos por labirintos dos “minotauros” da vida, só pelo ter, conquistar, dominar. Jesus diz: “Onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração”. “Não se inquietem pelo que comer ou beber, onde dormir e o que vestir. Observem os pássaros do céu. Não semeiam e nada guardam em celeiros, mas Deus os alimenta. Observem os lírios do campo. Não tecem, mas nem Salomão se vestiu como um deles”. Jesus refere-se às preocupações exageradas, mas não sugere cruzarmos os braços e pararmos no tempo. Ele fala “Meu Pai trabalha até hoje e Eu trabalho também”. Concita-nos a não nos estacionarmos, alerta-nos sobre dispensável em detrimento do essencial. E ensina: “Busquem antes o Reino de Deus e Sua Justiça e outras coisas lhes serão acrescentadas. Não se inquietem pelo amanhã, pois o amanhã cuidará de si”. Deus outorgou a busca da inteligência para todos se melhorarem, construírem, desenvolverem. Isso impele os seres às pesquisas dos meios de realizarem, leva a descobertas e invenções que aperfeiçoam a ciência e ela proporciona o necessário. No dia-a-dia há exemplos de exageros e equívocos. Muitos comem além do que o estômago comporta. Um comercial de remédio mostrava uma mesa imensa e pessoas comendo. Um degustando um frango inteiro, outro com um pernil (com gordura escorrendo no rosto), uma com bacia de macarronada e três sorvetes já aguardando. Um festival de comidas e devoradores, como se o mundo fosse acabar. O estômago já não suportando e eles empurrando mais comida, tomando vinhos e outras bebidas, até entornando pelos cantos da boca. Algo inspirado nas festas dionisíacas. Mas há os que não comem, fazendo dietas sem critérios e sem consultar médicos. Tornam-se tábuas de tão magros, mas enfraquecem, adoecem. Depois comem tudo de novo e ocorre o “efeito sanfona”, engordando-emagrecendo. Muitos surtam e, mesmo sem necessidade fazem plástica porque outro fez. Cismam e fazem várias “plastificações”. Alteram-se tanto, puxam dalí, esticam daquí, e quando riem o joelho dá um estalo, andam e as orelhas mexem. Devemos cuidar do corpo, pois ele é o instrumento de nossas realizações, mas sem adorná-lo e pesá-lo. Banhos de horas, contemplação narcisista no espelho. Adoradores de perfumes usam uns tão fortes que é difícil ficar perto. Uma conhecida tem um para cada dia da semana, um para trabalhar, um para estudar, um para dormir, um para passear, um para namorar. Esse ela não usa mais, pois o namorado não agüentou as misturas e caiu fora. O vestuário é um dos campeões. Gostamos de usar roupa bonita e não devemos mesmo sair desgrenhados, sujos e amarrotados, mas sim apresentáveis, dentro do estilo pessoal. Boa aparência não é sinônimo de requinte afetado nem de simplicidade sem cuidados. Vestirmos algo legal é tudo de bom, mas nosso próprio magnetismo ajuda muito. Uns vestem-se de forma normal, outros como um polvo vestido de árvore de natal. Uns precisam de um turbilhão de coisas lotando o guarda-roupa. Para conseguir fechar junta a família, ao abrir despenca tudo. Meu vizinho tem um relógio para cada dia do mês. Anda com o braço esticado, olhando fascinado e já deu várias trombadas com pessoas e postes. Ter o necessário é bom. Melhor é termos e dividimos com quem nada tem. Os compradores compulsivos compram até onde não vende nada. Consumismo sem limites transforma-se em acúmulo de quinquilharias. Uma coisa é guardarmos uma lembrança querida, os nossos pertences, mas uns guardam tudo e dizem: “Deixa aí que ainda serve”. A coisa até mofada, o dono não usa nem libera para ser útil a alguém. Quem divide o que tem, multiplica os tesouros da vida. Em visita a uma pessoa, vi sobre sua estante super limpa uma imensa pedra marrom-esverdeada (de lodo e poeira). Vendo eu olhar a pedra ela disse: essa pedrinha está aí há muitos anos e não deixo tocarem nela. Eu pensei: percebe-se. Ela continuou: é a lembrança do dia que tropecei nela ao ver meu primeiro namorado. Presenciei também na rua mais movimentada de nossa cidade, uma mulher chorando nervosa porque perdera um palito de fósforo queimado que ela guardava há trinta anos, lembrança do dia que viu um Presidente da República. “Onde está nosso coração, aí está nosso tesouro”. Extremos só atrapalham tudo na vida. É fundamental vivermos com o útil, não nos embriagando com o inútil. Disciplinarmos nossas vontades e hábitos, evitando aborrecimentos e conflitos interiores futuros. Uma vontade bem canalizada proporciona realizações grandiosas e paz. Somos o que pensamos, sentimos e realizamos, não o que possuímos. Os bens duradouros são os bons sentimentos, as atitudes nobres, os conhecimentos e as virtudes. Somos administradores dos valores que nos foram confiados e seremos convocados a prestarmos conta das concessões divinas que passaram pelas nossas mãos. Distribuamos os valores que temos em nós, consolemos, alegremos, fortaleçamos, auxiliemos, amparemos, amemos mais a todos, pois isso nunca é dispensável. Isso é essencial. Sugerimos a leitura do livro “Horizonte Perdido”, de James Hilton, ou sua adaptação para o cinema, direção de Charles Jarrot, pois, além de ótimo, tem relação com nosso artigo.
Encerramos nosso comentário com esta oportuna mensagem de Chico Xavier.
Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego. Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição.
Ademir Fernandes de Sousa, trabalhador de Juiz de Fora. Colaborador como colunista do Site do CEAD - Colatina -ES
Ademir Fernandes de Sousa - ademirferso@yahoo.com.br Centro Espírita Amor e Luz |
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OS ARTIGOS DISPONIBILIZADOS NÃO REFLETEM, NECESSARIAMENTE A POSIÇÃO DO CEAD CENTRO ESPÍRITA ALEXANDRE DRUMOND, SÃO DE RESPONSABILIDADE DO AUTOR. |
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O ESSENCIAL E O DISPENSÁVEL... |
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ADEMIR FERNANDES DE SOUSA ATUALMENTE É PRESIDENTE DO CENTRO ESPÍRITA AMOR E LUZ EM JUIZ DE FORA, TRABALHA TAMBÉM COMO EXPOSITOR ESPÍRITA, FAZ PARTE DO CEM - CONSELHO ESPÍRITA MUNICIPAL - AME - MG |
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Ademir Fernandes de Sousa |